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NOTÍCIAS

Desemprego no Brasil cai para 7% no mês de junho
23 de julho de 2010

População ocupada em seis regiões somou 21,878 milhões no mês passado, alta de 3,5% em relação a 2009

 

O desemprego brasileiro diminuiu mais que o esperado em junho, registrando a menor leitura desde dezembro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira. O índice nas seis principais regiões metropolitanas caiu para 7% em junho, ante 7,5% em maio, informou a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), divulgada nesta quinta-feira pelo IBGE. O mercado projetava uma taxa de 7,3%.

A população ocupada somou 21,878 milhões no mês passado, número estável na comparação com maio e apresentando alta de 3,5% sobre igual mês de 2009. O número de trabalhadores desocupados totalizou 1,647 milhão, queda de 6,6% mês a mês e recuo de 11,8% ano a ano. O rendimento do trabalhador somou R$ 1,423 mil em junho, elevação de 0,5% ante maio e de 3,4% na comparação com o ano passado.

Em maio, os dados da PME já tinham demonstrado força do mercado de trabalho brasileiro, após crise internacional. Apesar de a taxa de desocupação em maio ter avançado para 7,5%, contra 7,3% em abril, o dado apontava para o menor patamar para um mês de maio dentro da série histórica, iniciada em 2002. Também em maio, a pesquisa mostrava que o índice de formalidade foi o maior da série, assim como o crescimento da população ocupada nas comparações anuais superaram o crescimento da população.

Com os dados de junho, segundo o gerente da PME, Cimar Azeredo, é possível afirmar que os efeitos da crise que abalou o mercado de trabalho no ano passado já foram integralmente superados. Apesar da notícia positiva, o ex-diretor do Banco Central (BC) e chefe do Departamento Econômico da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas, afirmou que o nível de desemprego evidencia a incerteza relacionada ao quadro da economia doméstica, defendendo mudança no calendário de reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), que na quarta-feira surpreendeu ao diminuir o ritmo de alta dos juros básicos tendo em vista “o processo de redução de riscos para o cenário inflacionário”.

Segundo Azeredo, a taxa de desemprego média do primeiro semestre de 2010 foi de 7,3%, contra 8,6% nos primeiro seis meses do ano passado, a menor para um primeiro semestre da série da pesquisa, iniciada em 2002. O rendimento médio real dos trabalhadores no semestre ficou, em média, em R$ 1.420,34.Na comparação com o primeiro semestre do ano passado, a renda média real registrou aumento de 1,7%.

Azeredo disse que considera os resultados do mercado de trabalho metropolitano em junho como “favoráveis”, já que houve queda na taxa de desemprego e melhoria da qualidade da ocupação, com crescimento da formalidade. Segundo ele, o emprego com carteira está crescendo acima da população ocupada. “Isso mostra elevação da qualidade do mercado de trabalho”, disse. Das 731 mil vagas geradas nas seis principais regiões metropolitanas do País em junho, ante igual mês do ano passado, 670 mil foram vagas com carteira. O número de postos de trabalho com carteira assinada aumentou apenas 0,2% em junho ante maio, mas subiu 7,1% ante junho do ano passado.

Para Freitas, os dados “contradizem um pouco aqueles que acham que a economia está em um processo de acomodação mais permanente”, ao mostrar aumento da massa real de salários. Ele usou os dados divulgados pelo IBGE como exemplo para questionar se, diante de um cenário de incertezas tanto no ambiente externo quanto no doméstico, não seria mais apropriado alterar o intervalo de reuniões do Copom, reduzindo o tempo entre os encontros dos dirigentes do BC. Ele ponderou que seria mais adequado realizar reuniões mensais, enquanto durar o ambiente de volatilidade.